quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Conto: Tenente Lisa Ambrósio Prólogo (suspense policial)



   Era noite e por conta do frio intenso havia pouco movimento, quase nada pelas ruas. Jeff, no entanto, permanecia sentado no interior do seu táxi esperando alguma chamada. De vez em quando olhava para o relógio no painel na esperança de que meia-noite chegasse logo e pudesse ir para casa. O rádio tocava uma música bem baixinha para não atrapalhar caso a central o chamasse, a fim de amenizar o tédio.

Em noites frias, pois, era sempre mais complicado lucrar, porém, o jovem motorista estava bastante animado com a quantia significativa obtida somente em uma noite de trabalho. Finalmente vou poder comprar o presente de natal tão desejado para minha filha, pensava consigo mesmo.

O radioamador fez um ruído de estática e logo se ouviu uma voz feminina do outro lado:

– Carro sete dois! – chamou a voz – Está na escuta?

  Jeff ouviu o número do seu carro ser chamado, abaixou a música do rádio, pegou o microfone e respondeu:

– Carro setenta e dois na escuta! – falou o motorista.
– Um passageiro na Rua Leopoldo número dois – disse a mulher.
– Por acaso fica perto da estação de metrô Semitam Rock? – perguntou Jeff.
– Aguarde um instante! – disse a mulher, Jeff pôde ouvi-la digitando, conferindo a referência que ele dera; segundo depois voltou e continuou – Exatamente... Fica nas proximidades do metrô Semitam Rock.
– Ok! – disse Jeff – Estou a caminho Marta... – fez uma pausa e continuou - ...você por acaso já comprou o meu presente de natal? – soltou uma risada.
– Engraçadinho você hein! – disse a mulher – Tenha uma ótima noite seu bobo e não vá se perder hein! – concluiu ela.
– Uma ótima noite para você também Marta – falou o jovem motorista.

Jeff pisou na embreagem, girou a chave na ignição, deu a partida, engatou a primeira marcha... De repente surge um homem batendo no vidro do seu lado, trajava uma longa capa de chuva, luvas e um chapéu preto. O homem parecia um tanto perturbado com alguma coisa e pedia incessantemente para que o motorista abaixasse o vidro. Jeff por sua vez, não viu problema em ver o que o sujeito queria:

– Boa noite! – disse Jeff tentando ser gentil – O senhor está... Passando mal?

O homem tinha na mão um lenço azul e enxugava o rosto, estava com a capa um tanto úmida:

– Será que você pode me levar até a estação de metrô Semitam... – a voz rouca fez uma pausa, olhou para ambos os lados e continuou – ...Semitam Rock? –
– É claro que sim! – respondeu Jeff – Por favor, entre!

  Tirou o chapéu e entrou no carro, o motorista continuou a falar:

– O senhor teve muita sorte! – deu a partida novamente no carro e saiu.

Jeff passou por um cruzamento, as ruas estavam desertas, no para-brisa uma fina chuva começava a cair - Acabei de receber uma chamada para pegar um passageiro próximo a estação.
– Sorte? – disse o homem – Talvez! – fez uma rápida pausa e continuou – No final veremos quem teve a sorte! – sussurrou o homem para si mesmo.
– O senhor falou alguma coisa? – perguntou Jeff.
– Só falei que... Talvez a sorte seja sua! – respondeu com um leve sorriso nos lábios.


   O timbre da voz havia mudado antes aflito e rouco, agora ficara grave e firme, um tanto esquisito, era como se não houvesse expressão em sua voz com uma pitada de paranoia, afinal, ninguém falava daquele jeito, não alguém normal! No entanto Jeff não percebera a mudança repentina de humor do homem, na verdade seu novo passageiro não apresentava nenhuma ameaça. Mas esse, no entanto, é o maior erro que alguém poderia cometer.

3 comentários:

Maurina Bueno disse...

Amoooo suspense...fiquei curiosa...kkkk

Dê Almeida disse...

Adorei este! a interação com a imaginação do leitor é algo que gosto bastante! Uma finalização que deixa o leitor imaginar e questionar o diversos motivos, meios e prováveis fins é bem instintivo. Parabéns

Paolla Lima disse...

Ameeeeeeei , mas fiquei curiosa ! As possibilidades para o fim são infinitas rs Parabéns :D

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