terça-feira, 17 de junho de 2014

Drink II



   Sentado à mesa, sozinho, aguardava a boa vontade do garçom em lhe atender. Mas talvez estivesse invisível e não percebera, talvez estivesse morto e não havia sentido...

- Já foi atendido, senhor? – interrompeu o garçom segurando um bloco.

    Com um sorriso disfarçado conclui que de fato não estava invisível e muito menos morto. Recompôs-se rapidamente e então falou:

- Quero um drink!
- Certo! – o tom da voz do garçom saiu interjecional – Bom! Recomendaria os drinks especiais da casa, senhor!
- E quais seriam...? – quis saber o cliente.
- Oh, me desculpe...

Correu até o balcão a fim de pegar o menu de bebidas. O homem, pois, percorreu a lista variada com seus olhos baixos de alguém bastante cansado. Os nomes iam desde “alegria”, “felicidade”, “prazer”, “amor”, “saudade”, “confiança”, “desejo”, “inteligência”, “êxtase”, “esperança”, “amnésia”, etc. No entanto nenhum lhe agradara.

Mas ao fechar o cardápio um nome em letras bem pequenas, quase uma nota de roda pé, lhe chama a atenção. Era justamente àquilo que precisava depois de um dia chato de trabalho. Antes de fazer o pedido desarrochou a gravata preta que o estrangulava e desatou o último botão da camisa.


- Me vê uma dose-dupla de Melancolia, sim!

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